Allure Homme de Chanel

Allure Homme Chanel

Música é perfume. A frase que dá nome a um documentário sobre Maria Bethânia faz mais sentido do que se imagina: tanto a audição quanto o olfato estão numa região posterior do cérebro que fica perto da área onde se processa a memória. Por isso que algumas músicas e alguns cheiros transportam a gente rapidamente para outros lugares e outras épocas: eles “acendem” memórias que não são as visuais (e naturalmente mais imediatas). E desde cedo tenho uma relação muito íntima com perfumes, um em especial que me acompanhou no inicio da fase adulta: Allure Homme de Chanel.

O hábito certamente vem de minha mãe, que sempre gostou bastante e usa até hoje seus perfumes. Na minha memória afetiva, eles são misturados com um pouco de tabaco. Por ela, acabei me entendo melhor com perfumes apimentados, temperados, orientais, amadeirados, florais e até um pouco doces _o que ainda é pouco comum no segmento masculino. Ainda adolescente eu tomava emprestado um Opium, de YSL, feminino mesmo. Depois, mais velho, tive uma fase Kouros, também de YSL, porém uma fragrância masculina. Pulei a fase dos muito levinhos: CK One, Flower by Kenzo…

Foi morando em Londres que eu tive meu primeiro contato com Allure Homme de Chanel. Eu trabalhava em uma delicatessen de bairro, que atendia basicamente os moradores locais e um estúdio de gravação que funcionava do lado. Tinha um cliente não muito frequente e também pouco regular nos horários, um francês baixinho e já meio careca, mas ainda jovem (menos de 30). Eu sentia sua presença sempre alguns milésimos de segundos de passar pela porta, e depois de muitas vezes isso acontecer eu percebi que era o cheiro que anunciava a sua chegada.

Logo que percebi, perguntei a ele o perfume que usava e a resposta foi Allure Homme de Chanel. Não sei quanto tempo depois eu comprei o primeiro pra mim, mas já fazem alguns anos e desde então já usei dois frascos inteiros e ainda uma versão chamada Édition Blanche, que é um pouco mais ardida e cítrica ainda! Este frasco acabou de acabar e estou aqui pensando que talvez não vou comprar de novo outro desta linha em vida. É o único que eu definiria como “meu perfume“, apesar de não ser fiel a nenhum produto desta forma. Certamente, é o que eu tenho mais memória do buquê, dessa cena do francês entrando na deli, e de tantas outras vezes que usei depois.

São muitos outros para provar ainda, porém, e estou de olho e nariz nos perfumes florais secos e talcados, como os masculinos da Dior, o delicioso Narciso Rodriguez For Him Bleu Noir, e o L’Homme Ideal de Guerlain. Todos mais pro time dos adocicados, um caminho que a perfumaria masculina tem tomado já faz algum tempo mas que começa a ser mais aceito pelo público. Pra mim, é um cheiro mais refinado e mais maduro, que combina mais com como eu sou hoje, um pouco menos apimentado que Allure Homme de Chanel.

This Post Has 2 Comments
  1. Me acompanhou por muito tempo o Monsieur, Chanel e um outro que a tampa era uma bolinha de golfe mas deu bco agora…. Não recordo o nome nem a marca, mas é uma delícia….

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