Casa de Criadores, inverno 2018

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Foi uma ótima temporada de Casa de Criadores, evento de André Hidalgo que desfilou o inverno 2018 não apenas de jovens estilistas, mas de marcas de apelo criativo. Parece redundância, porém nos dias de hoje são tantos lançamentos de apelo comercial que encontrar ainda quem use de criatividade para falar de moda soa tão raro quanto necessário.

Na moda masculina, principalmente, há um refresco de nomes e de ideias que vão da moda das ruas a uma figura mais noturna (pronta para as baladas fora do circuito que dominam a programação de São Paulo). Vou comentar os desfiles que pude assistir pessoalmente, ilustrados aqui com fotografias da agência Fotosite.

A começar com a ótima parceria da marca de surf Fico com o estilita Mario Francisco, da Der Metropol. Com cartela de neons e estampas gráficas ou lisérgicas (estas feitas à mão pelo ilustrados Marcelo Augusto), criou uma imagem bastante atual, pois surfa na onda em torno dos anos 1990 que bateu na moda.

O principal tecido utilizado é um empapelado tipo tyvek, que já falei aqui, 100% impermeável e reciclável, mas também há os de fibras naturais, como o linho.

Diego Fávaro fez uma graça com discussões virtuais ao estampar trajes militares e roupas de combate com “Love”, “Hate” e corações simbolizando polarizações nas redes sociais. A coleção feita em sarja e malharia mostrou uma cartela de neutros, como preto, branco, verde militar e marrom.

Felipe Fanaia também mirou em um tribo de surfistas dos anos 1990 nesta edição da Casa de Criadores, mas modo urbano e contemporâneo. Neoprene, nylon e os jeans metalizados compunham looks amplos e coloridos, que deram certo tanto na imagem criada pelo styling quanto nas peças em separado, como as camisetas estampadas com nomes de praias brasileiras.

Na Också, o estilsta Igor Crivellaro apresentou coleção feita em moulage e tricô manual, a partir de algodão, viscose, sarja, moletom, nylon impermeável e linho. Com cartela de cores escura de preto, chumbo, musgo e laranja, teve como resultado roupas que servem perfeitamente para a turma da noite.

Renata Buzzo mostrou apenas um look masculino, abrindo seu desfile de moda festa feminina na Casa de Criadores, mas que seguia também a ideia de usar matérias-primas consideradas inferiores, como a estopa e o retalho. A peça tem esse acabamento rústico, mas de perto parece bem elaborada.

A estreia solo na Casa de Criadores de Diego Gama dentro do Projeto Lab, chamada “Sob Nós”, usa texturas de solo (como pedra e terra) para falar de vulnerabilidade e estabilidade.

A Senplo recebeu vários elogios de amigos meus que viram seus looks pretos e ajustados no video que postei no Stories. Se descreve (bem) como “uma elegância despojada, equilibrada e confortável com inspiração na conexão entre a cidade e a praia”.

O estilista Rafael Caetano continuou seu trabalho falando sobre a cultura queer. Inspirou-se no time de futebol gay Unicorns para criar uma coleção cheia de diversidade e brilho. A cartela de cores põe o lilás e rosa em contraste com preto. No styling: bonés, chuteiras e sobreposições de biquinis, em tule bordado, veludo e paetê.

A Another Place se firma no contraste de preto com branco, e recortes em laranja. A marca utiliza pela primeira vez uma estampa, um camuflado multicolorido, e cartela de cores vibrante.

A Hangar 33, de Rafael Varandas, tem evidentemente se aproxima do mundo da aviação como inspiração para suas coleções. Nesta temporada ele fala especialmente das decorações no nariz dos aviões de guerra.

Some a isso um styling punk e recursos de moda de rua, como customizações, peças detonadas, apliques e broches. As jaquetas têm acabamento em náilon, sarja tingida ou resinada e couro.

Com apenas dois looks masculinos, a coleção de Heloisa Faria fala sobre viagens e deslocamentos. Padronagem em tricôs inspirados em Bauhaus, contrapõem-se com saias rendadas e brilhantes. As estampas são desenhos de sua filha.

Tom Martins estreou na Casa de Criadores com uma coleção de tamanhos únicos e sem gênero definido, inspirada em Clara Nunes. Um jeans rígido foi apresentado em modelagens espaçosas, usado com camisaria também de formas amplas.

Cristian Resende e Fernando Sapupo, do Cartel 011, apresentaram o primeiro desfile da marca CZO nesta Casa de Criadores, com uma moda urbana baseada em sobreposições de peças esportivas e os letreiros que temos visto bastante nas roupas.

O estilista Igor Dadona fala sobre a caça as bruxas na sociedade contemporânea, usando símbolos que falam de força e persistência em estampas e aplicações de sua coleção.

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