Ricardo Almeida para CBF


A essa altura você já deve ter visto as imagens de divulgação dos uniformes que a delegação brasileira da seleção de futebol vai usar nos eventos da Copa do Mundo de 2026, que acontece em junho em várias cidades da América do Norte. Eu quero aproveitar a ocasião para explicar quem é Ricardo Almeida, que assina as criações e por que ele é um dos maiores estilistas de moda masculina no Brasil.

Mas além, eu vou explicar também porque essa parceria, além do óbvio da exposição que ele vai ganhar, é uma enorme jogada de marketing que prepara o caminho de sua marca para as próximas gerações. É a terceira vez que o Ricardo Almeida faz parceria com a CBF. Ele já tinha feito ternos para jogadores em outras ocasiões. Ele também já vestiu muitos políticos, muitas celebridades. Ele é um grande nome nesse mercado de alfaiataria de São Paulo para o Brasil.

Homem sentado em um sofá, vestido com um terno azul e camisa combinando, com o emblema da seleção brasileira na jaqueta.
O goleiro Alisson Becker com terno Ricardo Almeida para Seleção Brasileira de Futebol, em 2018

Foi divulgado apenas um croqui, que são dois tipos de uniforme, que eles conversam entre si nas cores e na proposta social barra casual. O primeiro conjunto é o da comissão, que é um terno de dois botões feito nesse azul petróleo que mistura um pouco de verde mais clarinho. para ser usado com camisa, gravata e um sapato de amarrar de camurça. Portanto, é um look mais sério.

O que todo mundo está de olho, claro, é o look dos jogadores, que é, por excelência, um pouco mais informal. Vai ser um pouco mais exposto também em mídia, mas a grande sacada é que foi onde ele emplacou a segunda linha da marca, um braço da marca Ricardo Almeida, que chama RA2, que é conduzida pelos seus filhos, o Ricardinho e o Arthur, e pelo stylist Gabriel Pascolato.

É da mesma cor do que o terno da comissão, uma calça reta, porém com um caban, uma jaqueta, um tipo de casaco um pouco mais aberto. E os jogadores vão estar usando mocassim nos pés. Ufa, escapamos do sapatênis. No geral, foi uma escolha mais sóbria, com um toque de jovialidade.

Essa atualização da alfaiataria que ele sempre faz e que está agora mais firme por conta dessa marca que ele está desenvolvendo com os filhos. E também, ao mesmo tempo, muito chique, muito elegante, que põe a Seleção Brasileira nessa posição de respeito que a gente espera conquistar de novo.

A trajetória de Ricardo Almeida

O Ricardo Almeida é filho de um empresário do ramo têxtil, ou seja, vem da família. É deles a famosa Casa Almeida, de roupas de cama, mesa e banho. E ele trabalhava como representante de confecções até 1983, quando ele abriu a sua primeira fábrica, inicialmente, para terceirizar a produção de peças para outras marcas.

Retrato de homem sentado em uma poltrona, vestindo um paletó escuro com padrões e uma camiseta preta. O fundo é neutro e iluminado.

E é muito diferente você avaliar uma marca que é uma pessoa fazendo criações e mandando fazer fora, ou uma marca que tenha uma estrutura por trás, uma indústria, de fato, gerando empregos em várias escalas. dessa cadeia que é a indústria de moda.

A primeira loja com a marca própria dele só foi lançada em 1992, porém com toda essa estrutura que eu acabei de descrever. E isso colocou ele já num patamar de falar com todas as celebridades, com as pessoas famosas e os endinheirados de São Paulo, que foi por onde ele ficou famoso. Ele vestia todo mundo.

Ricardo Almeida também sempre usou o desfile como uma plataforma de divulgação. As apresentações no São Paulo Fashion Week dele foram históricas. Eu lembro de um desfile que teve o Fernando de Barros desfilando, Rodrigo Santoro várias vezes, e aqueles castings só com um ator, com homens maduros, que eram mais ou menos os próprios clientes dele.

Ele teve por muitos anos um ateliê na Vila Nova Conceição e ele acabou transformando um bairro num ponto de referência para os grandes alfaiates de São Paulo. Muitos deles têm loja aqui, moram por aqui também, estende até um pouco para Moema. Ele tem a fábrica no Bom Retiro, uma fábrica grande que foi reformada há poucos anos e produz jeans, polos, fábrica de sapatos. Então ele realmente é uma marca de moda do começo ao fim.

E o Ricardo é um estilista, um designer de moda, apesar de ser muitas vezes confundido com alfaiate, porque a marca dele é de alfaiataria, e muitas vezes, nesse marketing, de mostrar ele tirando medida favorece ele nesse sentido. Porém, em uma reportagem que eu escrevi para a revista Elle Man, que fala desse mercado de alfaiates, diz que hoje em dia você não tem mais um alfaiate como era antes, que a pessoa fazia tudo, que era oficial de alfaiate, desde tirar as medidas, escolher os tecidos, fazer os cortes, costurar, finalizar a peça.

Hoje em dia, tudo isso é muito dividido e também conta com a ajuda de máquinas boas que fazem parte do processo, por mais artesanal que ele seja. Então, se tem uma pessoa especializada nas medidas, nos cortes, nas calças, nos paletós e tudo isso é distribuído em oficinas. que é o que ele sempre fez.

Me perguntaram por que as marcas brasileiras não têm essa mesma estrutura que as internacionais, de ter os diretores criativos assumindo grandes casas. Bom, o mercado é diferente. Você tem que lembrar, por exemplo, marcas grandes de costureiros como Ocimar Versolato, Clodovil, Renner, não eram estruturas comerciais montadas na ocasião da partida deles que pudessem ter uma continuidade. Então, acabou com eles.

As outras marcas conhecidas são muito jovens e, de certa forma, os fundadores e as famílias ainda estão no comando. Não tem essa coisa de ser transferida para um grupo e colocar um outro nome da moda para dirigir. Acontece que esses grandes nomes da moda brasileira, o Ricardo é um deles, estão planejando uma estrutura bem familiar das suas marcas, como planejamento de longevidade e de sucessão. O Ricardo então tem essa linha R2, com os filhos do Ricardinho, Arthur e o stylist Gabriel Pascolato, que é para ser uma linha jovem, uma linha mais contemporânea, que vai ter um pouco mais de experimentação.

Para apresentar a marca, fez um desfile no escritório dele, que agora fica no complexo do Hotel Rosewood, e ela foi misturada junto com as coleções do próprio Ricardo Almeida, que é mais clássico e mais tradicional. Então, ele está colocando aos poucos os meninos na jogada, envolvendo essa RA2 nos projetos, de modo que seja muito natural essa passagem. E se um dia o Ricardo Almeida não estiver mais trabalhando, você vai ter já pessoas treinadas e conhecidas para tocar a marca para os próximos anos.

É o mesmo movimento também que acontece com o Oscar Metsavaht na Osklen, que ele retomou a direção criativa agora, ainda sob comando do grupo Alpargatas. E ele também está desenvolvendo projetos paralelos, um pouco menores ainda, mas colocando os filhos na jogada para, de novo, para treinar e para assumir a marca como uma empresa familiar.

Eu posso citar também a Ellus. Eu conversei com a Adriana Bozon sobre isso, e eles comandam o grupo InBrands também, que tem outras marcas envolvidas, e ela também está planejando essa sucessão e já treinando, como acontece nos grandes grupos europeus.

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