O Donald Trump está maluco por uma marca de sapatos fundada por um imigrante alemão, judeu, e que fez sapatos para as duas grandes guerras mundiais que já acabaram: a Florsheim. E fez tanto sucesso que nos anos 1940 teve até uma loja em Cuba. Tão maluco que ele está obrigando todo mundo do gabinete a usar o mesmo sapato, mesmo que não esteja no tamanho da pessoa. Calma que eu vou te contar tudo sobre a marca de sapatos Florsheim.
Essa marca foi a que também calçou Michael Jackson em várias de suas apresentações, inclusive a do famoso movimento de dança Moonwalking. É a marca de sapatos também usada pelo personagem Don Draper, na série Mad Men.
E o mais curioso é que a empresa dona dessa marca está processando o governo dos Estados Unidos por conta da imposição de tarifas de comércio internacional. Essa história começou quando o Wall Street Journal reportou que o Donald Trump primeiro estava procurando um sapato confortável e também não muito caro. Ele encontrou essa marca e que, por ter sido fundada nos Estados Unidos, para ele pareceu um certo emblema de nacionalismo.


Mas ele ficou tão enamorado pelo produto que ele tem dado de presente para todas as pessoas que trabalham em volta dele em vários cargos importantes. e adivinhando o número das pessoas. Uma das fotos, que foi publicada depois pela revista Esquire, é do Marco Rubio usando esse sapato com vários números maiores.
O modelo em questão chama Rucci, que é um Oxford Cap Tope que custa 180 dólares, quase mil reais hoje em dia. E tem uma foto que dá para ver bem, então todo mundo ali em volta dele usando o tal do sapato.
A história de Florsheim
O fundador era Sigmund Florsheim, que foi da Alemanha para os Estados Unidos em meados do século 19. Ele era sapateiro, ele começou trabalhando com isso lá, até ele virar sócio de uma empresa chamada Greenfelders, Florsheim & Co, fundada em 1886.
Em 1892, ele quebrou a sociedade para se associar com o seu filho mais velho, Milton, de 24 anos, e lançou a Florsheim Shoe Company. Só que dois anos depois ele morreu inesperadamente, deixando uma empresa na mão do filho de 26 anos. E que deu muito certo.

E uma das estratégias que esse filho usou para turbinar a marca foi colocar uma etiqueta dentro do sapato para mostrar que aquele era um autêntico Florsheim. É mais ou menos como funciona, e também da mesma época das grandes empresas de malas, como a Louis Vuitton ou a Goyard, na França, que, quando começaram a fazer sucesso, tiveram que desenhar motivos e as estampas que a gente conhece até hoje para que as peças fossem facilmente identificadas durante o transporte.
Ele era tão bom de marketing que, na virada do século, ele instalou uma câmara de raio-x em cada loja para a pessoa poder registrar o pé dentro do sapato para ver se encaixava direitinho.

Em 1917, a marca se tornou a principal fornecedora de botas para os soldados americanos na Primeira Guerra Mundial. E depois disso, a marca estourou. Eles eram muito conhecidos pela qualidade do sapato e também por uma comunicação muito agressiva de publicidade.

Eles são conhecidos, por exemplo, em 1926, terem feito o primeiro anúncio de um sapato com bico quadrado apontado como tendência de moda. Na Segunda Guerra Mundial, eles voltaram a produzir os sapatos para os soldados americanos, principalmente porque o Harold, filho do Milton e neto do Sigmund, tinha participado da Primeira Guerra, então ele tomou essa frente de negociação, inclusive a distribuição dos sapatos na Europa.
No final dos anos 1940, eles tiveram também a grande ideia, que era uma novidade, de tirar os sapatos do estoque e deixar tudo exposto na loja para que os clientes pudessem manipular e provar os sapatos sozinhos. Nessa época, a marca já era um sucesso, tinha loja em várias cidades dos Estados Unidos e também uma loja em Cuba.

Nos anos 1950, a marca foi vendida para um grupo internacional, deixando a administração familiar, e eles cresceram muito, nos anos 1960, 70, até os anos 80, em que eles tinham aquelas vending machines que você podia comprar um sapato automaticamente pelo computador, apenas pelo modelo e pelo número.


Em 2002, uma empresa da quinta geração da família Flordsheim compra de volta a marca e volta a fazer sapatos mais artesanais, preocupados com a qualidade. e não tão massificados como eles tinham ficado.


O Michael Jackson usou vários modelos dessa marca, desde os anos 1980, 90 até 2000, principalmente uns mocassins, que é o sapato de enfiar, não de amarrar. O modelo principal era o Como Imperial, que às vezes ele fazia alguns ajustes, mas era basicamente a peça que você encontrava na loja. E também tinha esse outro modelo chamado Berkeley, que ele usou nas principais danças que a gente conhece dele, inclusive o Moonwalking.
Já no figurino de Don Draper, em “Mad Men”, o modelo que aparecia normalmente era um estilo Derby, que é outro tipo de sapato de amarrar.
E o interessante é que nada dessa relação com celebridades aparece nas comunicações atuais da marca. Só tem produto e campanha, não tem nenhum presidente, cantor ou ator usando. O que demonstra uma marca bem democrática, que está pronta para atender vários públicos, independente da sua nacionalidade ou do histórico pessoal de quem usa.
















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