Se você está assistindo “American Love Story”, a nova série de Ryan Murphy que conta o romance entre John John Kennedy e Carolyn Bessette, você precisa entender quem foi Calvin Klein. Ele era famoso nos anos 1990, quando se passa a série, por conta da estética do minimalismo, mas ele já fazia sucesso desde os anos 1970.
A Carolyn era relações-públicas da marca e isso aparece bastante na trama, e ao mesmo tempo representava esse estilo de vida contemporâneo de mulheres independentes de NY, que se vestiam de forma simples e descomplicadas a partir de um guarda-roupa com poucas e boas peças. É exatamente por isso que Calvin Klein ficou conhecido na moda e no mundo. Ela interpretava isso muito naturalmente, não por ser uma vítima da moda, mas por ser uma profissional dos bastidores do mercado de moda.



Houve comparações da Carolyn Bessette com a Carrie Bradshaw, ou a própria autora Candance Bushnell, por essa ligação com a moda. Mas além de épocas diferentes, por que Sex and the City é super anos 2000, a Carrie é uma consumidora, impulsiva e compulsiva, e valoriza marcas e as tendências do momento. Enquanto Carolyn exercita a gramática de um estilo pessoal clássico atualizado por meio do design e da limpeza de excessos. Ela não constrói um personagem como a Carrie faz, ela é aquilo que ela mostra e que é exatamente o que o Calvin Klein tinha em mente quando começou a marca.



Deixa eu voltar um pouco na história. A indústria de confecção dos EUA emerge nos anos 1970 como alternativa ao mercado europeu. Calvin Klein surge nessa época com uma oferta de peças avulsas informais, porém ainda com perfil elegante, na mesma linha que Halston, que você pode ver na série da Netflix, e Geoffrey Beene.



Calvin Klein é americano e judeu de NY, se formou em 1962 no Fashion Institute of Technology de Nova York, e lançou a marca própria em 1968. Ele começou fazendo casacos, mas logo passou a desenhar também peças esportivas, leves e de linhas suaves, como suéteres de gola rulê, calças estreitas e paletós retos com ombros estruturados.



Ao longo dos anos 1970, ele começou a apresentar looks de passarela mais sofisticados, com silhuetas esguias e limpas de qualquer excesso, além de tecidos finos de fibras naturais. Que é a linha de seus vestidos de festa até hoje.



Paradoxalmente, no começo dessa mesma década, ele apostou em uma linha jeanswear e em 1976 foi o primeiro a mostrar uma calça jeans na passarela. Em 1978 ele lançou a marca CK Jeans como um segmento independente dentro de seu portfólio. Ele também foi um dos primeiros a pôr o nome da marca no bolso traseiro, criando uma nova forma de mostrar status.



Esse estilo hi&lo combinava muito com o perfil de mulheres de NY que passavam a trabalhar fora de casa. E ele ficou conhecido internacionalmente por fazer uma moda norte-americana contemporânea: prática, sóbria e minimalista. Ele insistia na pureza da linha e a cada desfile mudava muito pouco de corte, cor, comprimento ou proporção.



Em 1983 ele lançou a linha de underwear, principalmente as cuecas femininas, que fizeram sucesso por conta do logotipo na etiqueta usadas por fora do jeans, e pela divisão de perfumes unissex. Isso sem deixar de atender também ao segmento de moda festa.



A marca Calvin Klein sempre teve um direcionamento para campanhas sugestivas, como a de jeans com Brooke Shields nos anos 1980, a de cuecas com Marky Mark nos anos 1990 e os retratos com Kate Moss para a campanha do perfume Obsession de 1997 que sintetizam a estética heroin chic que marcou a época. Muitos atletas já posaram de cuecas Calvin Klein e, mais recentemente, Bad Bunny e Jeremy Allen White.



Ao longo da década de 90 ele reforçou os pilares de uma moda urbana descomplicada e esportiva que o projetaram ao sucesso. Em 1992 ele apresentou um desfile da marca de jeans separado da marca principal, fazendo um movimento contrário do que havia feito décadas antes. E seguiu com os desfiles e as campanhas polêmicas de underwear e perfumes, em uma parceria recorrente com a modelo Kate Moss, rosto e atitude de uma geração. Assim como outras supermodelos, como Naomi Campbell, em uma foto da linha jeans, e Linda Evangelista, em desfile dessa época.
A marca foi vendida em 2002 para o grupo PVH, que também é dona de outra marca emblemática do estilo made in USA, a Tommy Hilfiger. Depois que ele se aposentou, o estilista mineiro Francisco Costa trabalhou de 2003 a 2016 à frente das coleções femininas de passarela e tapete vermelho, enquanto Italo Zuchelli desenhava as coleções masculinas, com foco em roupas funcionais e tecidos tecnológicos. Raf Simons entrou em 2016 para unificar as duas linhas, também com foco e alta moda, mas ficou apenas dois anos, pois não teve um retorno comercial satisfatório para eles.
Por cinco anos a marca focou sua estratégia de marketing apenas nas campanhas das linhas comerciais, jeans, perfumes e cuecas, sem um diretor-criativo conhecido, até a entrada de Veronica Leoni em 2024, marcando o retorno às passarelas e a personalidade elegante da marca.
Ele manteve seu estilo casual ao longo dos anos, mesmo afastado dos holofotes e curtindo a vida, sempre com um visual limpo e simples, como ele prega há décadas.




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