Sapatos artesanais

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Podemos comprar sapatos da mesma forma que podemos comprar ternos: ou escolhemos um modelo pronto em uma rede de lojas ou partimos para um feito sob encomenda por um alfaiate, ajustado a suas medidas. Sejam sapatos prontos ou sapatos artesanais, ambas opções atendem perfeitamente a todos os espectros da equação custo versus benefício.

Enquanto eu estava montando o post sobre os tipos de sapatos que estavam nas lojas, explicando as principais diferenças de estilo entre eles, fui separando naturalmente algumas marcas que não se encaixam neste perfil de oferecer coleções completas, com toda a variedade de sapatos.

São marcas pequenas, que fogem deste padrão de atendimento de ter sempre uma peça ao gosto do freguês. Pelo contrário, com seus sapatos artesanais, se concentram em detalhes de estilo, como combinação diferente de materiais, e de funcionalidade, como materiais superleves e elásticos em posições estratégicas.

Vistei a loja de uma delas, a Wolken Shoes, em Pinheiros (próxima da Oriba, numa região que está ótima de lojas e lugares legais para comer e beber). A designer Camila Freitas, dona da marca junto com Amanda Daud, me explicou que não trabalha com estações, mas com coleções enxutas, com uma grade pequena de cada modelo.

As duas estudaram design de calçados no Instituto Maragoni, na Itália, e têm juntas um trabalho sobre a “produção de calçados essencialmente clássicos, adaptados aos países de clima tropical”. Fizeram aulas também com os artesãos da CarréDucker, tradicional empresa de calçados masculinos na Inglaterra.

Na sequência, foram parar em Kehl, pequena cidade na Alemanha onde o tio de Amanda, Heer Wolken, foi primeiro sapateiro a se estabelecer. Com ele, tiveram uma experiência prática sobre escolha e beneficiamento do couro, técnicas de costura e maquinário.

Foi assim que nasceu em 2012 a Wolken Shoes, feita no Brasil com técnica manual de costura e montagem chamada Goodyear Welted, onde as máquinas têm um papel secundário. Originalmente com distribuição online e com um ponto na feira da praça Benedito Calixto, só este ano abriu sua primeira loja.

Os calçados são elaborados em Jundiaí, com curtumes integrados, que realizam todas as operações (ribeira, curtimento e acabamento) e se responsabilizam pelo tratamento dos efluentes em todas as etapas.

E não é só por serem sapatos artesanais que são necessariamente sociais. Há muitos deles, sim, mas também há botas e tênis. Todos muito leves, confortáveis e flexíveis, com solado em EVA expandido ou látex misturado com serragem de madeira para acabamento rústico.

Na loja, vende também outros produtos que ajudam a compor a ideia de consumidor que pretende atrair: gravatas da Marca Dois Maridos, meias e acessórios de couro para a bicicleta de uma marca de Curitiba.

É uma proposta parecida com a do gaúcho Vinícius Dapper (o sobrenome alemão significa garboso em inglês). Ele faz sapatos artesanais e/ou sob medida, personalizados em cores e formatos não encontrados facilmente em lojas. Melhor ainda: são confortáveis ao ponto de poderem ser usados sem meias.

Na sua série de sapatos artesanais masculinos chamada Artsyde, usa elementos de alpargatas, dockside e mocassim para criar novos desenhos. De Porto Alegre, tem vendido suas peças via internet enquanto estuda como vai disponibilizá-las em São Paulo, depois de ter comprado a marca de calçados femininos Zeferino. (Veja mais modelos abaixo).

Vale checar também a Louie, do casal hispano-brasileiro Adolfo e Lívia, que fazem juntos desde o primeiro desenho até a última costura. Não tive a oportunidade de prová-los ainda, mas é a mesma proposta de ter algo no pé com personalidade, sem abrir mão do conforto!

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